
Na hora da oração, Ben Said entrou na Mesquita. Preparava-se para invocar Alá, quando seus olhos pousaram sobre uma velha coruja, que estava empoleirada em uma fresta da parede.
No dia seguinte, na mesma hora, a ave ainda estava lá.
No terceiro dia, a mesma coisa.
Ben Said achegou-se para observar a coruja mais de perto. Era cega!
_ Ah! Agora entendi!, disse para si, Ben Said. Eis porque esta pobre ave não abandona nunca o seu buraco escuro e não se mexe. É cega! Sabe-se lá como faz para viver! Onde será que encontra o que comer ?
Nisso, chegou um falcão e pousou perto da velha coruja. Trazia no bico uma serpente. Principiou a dilacerar a serpente e dava as partes à coruja cega.
Ben Said começou a raciocinar e a tirar suas conclusões: Será que eu não valho mais que uma coruja aos olhos de Alá?
Ben Said decidiu, naquele mesmo instante, abandonar o seu trabalho de sapateiro, confiando que Alá teria pensado nele. Foi sentar-se na frente da porta da mesquita. Esperava que os passantes deixariam cair esmolas em sua mão estendida.
Um de seus amigos o reconheceu e perguntou intrigado:
_ Oh! Ben Said! O que foi que aconteceu?
Como resposta, o sapateiro contou a história da velha coruja e do falcão, que a socorria. Não seria aquilo um chamado do céu, um sinal da vontade de Alá?
Mas o amigo disse:
_ Tenho certeza de que você não entendeu o que Alá quis lhe dizer. Se Alá lhe fez presenciar aquela cena, não o fez para que você aprendesse a se comportar como a coruja, que afinal é cega, mas para que você imitasse o falcão, que se colocou a serviço de um ser necessitado, mais desamparado do que ele.
Retirado de http://www.avelos.com.br/

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